Mostra traz obras produzidas por deficientes visuais


Quando entramos em uma exposição de obras de arte, uma das primeiras instruções que recebemos é: "favor não colocar a mão nas obras". Pois então, aqui na nossa cidade está em cartaz uma exposição diferente, que não apenas permite, como incentiva, que crianças e adultos toquem nos objetos e tentem identificá-los apenas por meio das sensações do tato. Trata-se da premiada mostra "Olhar sensível", em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs). É um projeto de experiência tátil e auditiva para deficientes visuais e demais interessados. Quem tiver a visão em boas condições recebe uma venda para os olhos, para poder sentir as obras. Aliás, as obras em exposição foram produzidas por pessoas que têm deficiência visual. A mostra fica em cartaz até 28 de abril e pode ser vista de terça a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados e feriados, das 10h às 15h. O passeio é monitorado pelas mediadoras culturais do Macs, Jéssica Reinaldo e Núbia Caetano. A entrada é gratuita. 



Na sexta-feira, dia 9, um grupo de crianças atendidas pela Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (Asac) foi conferir a exposição. Além das obras em 3D -- cada uma delas tem identificação em braile -- há fotografias que podem ser reconhecidas pelos deficientes visuais por meio da audiodescrição, acessada por QR Code. Para quem não sabe, braile é um sistema de escrita tátil utilizado por pessoas com deficiência visual ou com baixa visão. É escrito em papel em relevo. 



Donas de mãozinhas muito ligeiras, as crianças estavam curiosas para conferir tudo o que tinha por ali. Tocar uma obra e sentir como são seus contornos e sua textura instigou a curiosidade em saber mais do que se trata e buscar pelas informações. 

Logo na entrada, Elienai Abigail Balduíno Pereira, 12 anos, disse que era a primeira vez que estava numa exposição e não sabia o que iria encontrar pela frente. Assim que se deparou com as obras táteis, ela conta que preferiu ler antes para saber do que se tratava. Depois é que tentou fazer o inverso: sentir e tentar adivinhar primeiro antes de ler.  


Data de Publicação: 20/03/2018

Fonte: Cruzeiro do Sul