Conheça a nadadora Camille Rodrigues, destaque na nova abertura do Fantástico


A nadadora campeã parapan-americana Camille Rodrigues é destaque na nova abertura do Fantástico - Show da Vida, da TV Globo. A nova apresentação de início do programa, um dos mais tradicionais da televisão nacional, foi lançada no último domingo, 5, em celebração aos seus 45 anos. Pela primeira vez, uma pessoa com deficiência foi retratada. Fato que lhe causa orgulho e a faz mirar ainda mais longe: em tornar-se uma referência para estas pessoas. 



Devida a uma má formação congênita na perna direita, Camille amputou a perna na altura do joelho aos 3 anos. Aos 4 anos, começou a praticar esportes por recomendação médica com o objetivo de paralisar uma atrofia na bacia. Após conhecer o paradesporto, começou a treinar com mais afinco a natação até se tornar uma atleta profissional. Ela participa de competições desde os 14 anos. Natural de Santo Antônio de Pádua, interior do Rio de Janeiro, Camille representa o Clube de Regatas Vasco da Gama. 



Além de suas conquistas nas piscinas, pela classe S9, Camille ganhou destaque como dançarina. Já havia feito parte de videoclipes de músicos como Lucas Lucco, e também apresentado-se no Prêmio Multishow do ano passado com a cantora Anitta. Seus vídeos em suas redes sociais também sempre foram marcas registradas. 



Nos dias 18 e 19 de agosto, ela participará da segunda etapa nacional do Circuito Loterias Caixa de natação, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. 



Camille falou ainda sobre bastidores da gravação, os planos para a carreira de Camille e o sentimento de estar em um palco tão cobiçado. 



Quando e como você foi chamada para participar da gravação da abertura do Fantástico?

Eu recebi o convite em abril, através do Laert (bailarino que também participou da gravação), com quem eu já tinha trabalhado antes em um teatro contemporâneo. Em seguida, o coreógrafo Caio Nunes entrou em contato comigo. A TV Globo fez questão que a nova abertura abordasse a inclusão social e foi aí que lembraram de mim. 



Qual foi o sentimento ao saber que seria a única bailarina com deficiência?

Eu jamais imaginaria que entraria para história de um programa jornalístico como o Fantástico, que tem aberturas famosas. Não consigo precisar o que sinto. No dia da gravação, fiquei muito emocionada. É uma mistura de orgulho, de que tudo que precisei abdicar pela minha carreira deu certo. A trajetória como dançarina começou agora e, mesmo assim. já fiz trabalhos importantes como o Prêmio Multishow, com a Anitta, e o videoclipe do Lucas Lucco. 



Como você vê a sua participação nesta abertura para o movimento das pessoas com deficiência? 

Quando eu era pequena, não tinha esse tipo de referência, não tinha uma motivação externa, era só o que tinha dentro de mim. Eu cresci sem referências e sei que isso é importante. Muitos deficientes ficam em casa, ou não se sentem completos, confiantes e esse tipo de projeto traz uma motivação para essas pessoas. Inspira-as a correrem atrás do que querem, a seguir lutando. Recebi muitos feedbacks de pessoas com deficiência dizendo que se motivaram por minha causa. 



Quais os planos para sua carreira (atleta e bailarina)?

Enquanto nadadora, pretendo encerrar a minha carreia em alto rendimento neste ciclo paralímpico. Ainda não sei se estarei nos Jogos de Tóquio 2020, mas estou trabalhando muito para estar na equipe que vai ao Parapan de Lima 2019. Quero ter três Parapans bem-sucedidos no currículo. Depois, pretendo focar em outras coisas, como a minha faculdade de Nutrição e em cursos voltados para área artística. 



Na gravação, você representa o elemento de fogo. O que achou desta escolha? Identificou-se de alguma forma?

Eu só fui saber qual era o meu elemento no segundo dia de ensaio e achei que combinou muito comigo, com a minha personalidade. E todos os bailarinos se identificaram com os seus elementos. Foi muito bacana!



Os outros bailarinos não tinham deficiência. Como foi a interação com eles? Você sentiu alguma dificuldade com a coreografia pelo fato de usar uma prótese? Como foi sua relação com o coreógrafo?

O coreógrafo já tinha me estudado antes, tinha olhado os meus vídeos, já sabia o que eu conseguiria ou não fazer. Mesmo assim, durante os ensaios, o coreógrafo teve cuidados, mas nada exagerado, fui tratada como uma bailarina normal. A coreografia sofreu mudanças ao longo dos ensaios porque ele também foi me dando uma certa liberdade para arriscar mais. 



Como foi conciliar treinos com os ensaios?

Foi muito difícil conciliar os treinos com os ensaios, estava bem cansada, com a musculatura cansada. Os ensaios acabaram numa terça-feira e, no sábado, eu já tive competição.



Quando você começou a dançar? Já fez aulas de dança?

Eu danço desde pequena, coisa de família mesmo. Na minha adolescência participei de um grupo de dança lá em Santo Antônio de Pádua, minha cidade natal, e foi ali que me aperfeiçoei.



Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)


Data de Publicação: 06/08/2018

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro