Centros de referência a pessoas com deficiência fecham as portas


uas das seis unidades dos centros de referência a pessoas com deficiência (CPRD) no município do Rio foram fechadas devido a problemas administrativos que acarretaram também no atraso dos salários dos prestadores de serviço.



Há quase um mês, as unidades de Irajá, na Zona Norte, e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, fecharam as portas e, segundo informações da Prefeitura, deixaram em torno de 300 usuários diários sem tratamento e cerca de 80 profissionais sem salários. Os centros de referência tratam de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Dentre os serviços oferecidos estão: fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, assistência social, pedagogia, fisioterapia e tecnologia assistiva. As atividades são feitas com objetivo de ajudar a aumentar a autonomia dos deficientes.



Os espaços de apoio tratam, principalmente, de crianças com necessidades especiais e auxiliam no desenvolvimento e aprendizado desses usuários. Elizabeth Costa Campos é aposentada e levava o neto Caio, de 7 anos, portador de autismo, para fazer tratamentos toda semana. Segundo a avó, ele apresentou uma melhora significativa desde que iniciou as atividades de dança, teatro, terapia de música, e os tratamentos com fonoaudiólogos e psicólogos, e o fechamento da centro faz falta na vida do neto.



"O Caio melhorou muito depois que foi para lá, todos os tratamentos que ele faz lá ajudaram muito. Ele sente falta, ele já sabe os dias que vamos para lá, e ele quer ir para lá. Muitas vezes eu levei ele para lá para ver que estava fechado. Ele arruma as coisas e chora para ir, e é difícil ter que falar para ele que não tem mais", contou Elizabeth.



A aposentada ainda acrescentou que a família não têm condições de pagar todos os tratamentos que Caio faz, por isso, o centro de referência, que também fica próximo de sua residência, foi a melhor solução para garantir o desenvolvimento do neto. A idosa disse que tem medo que a unidade não volte a funcionar.



De acordo com a Prefeitura, problemas administrativos envolvendo o CEBRAC, organização social que administra os dois pólos acarretaram no atrasos de salários e fechamento, por tempo indeterminado, dos espaços. O município conta ainda com mais quatro unidades nos bairros de Campo Grande, Vila Isabel, São Conrado e Centro, qua são administrados por outras ONGs.



 



Retrocesso no tratamento de usuários



 



Funcionários contaram ao G1 que a situação de atrasos nos salários e a interrupção intermitente dos serviços nas unidades começaram em janeiro deste ano, e até o momento não há prazo ou garantia de que a situação irá se resolver.



Uma das profissionais, que preferiu não se identificar, ressaltou que o problema prejudica os funcionários, mas, principalmente, atrapalha o tratamento dos usuários, que podem retroceder se ficarem sem o acompanhamento.



“Os maiores prejudicados são os usuários porque muitos deles precisam do tratamento de lá e não tem condições para procurar outros lugares. E fechando, o tratamento deles fica parado, e logo retrocedem, não tem avanços. Porque se ficarem sem tratamento, tudo o que foi trabalhado pelos profissionais antes acaba sendo perdido”, explicou.



O profissionais estão há dois meses sem salários, e afirmam que, apesar da vontade de continuar o trabalho e não prejudicar as crianças, é difícil continuar sem receber.



“Eu espero que resolvam a situação para que possamos voltar a trabalhar, porque a nossa vida está parada, e o tratamento dos usuários também. Esse centro ajuda muito as pessoas, as crianças com deficiência, eles não tem nada, nenhum apoio, e esse centro veio para ajudar a eles. Cada semana que passa inventam uma história, semana após semana e nada se resolve”, contou uma técnica de enfermagem que presta serviço em uma das unidades.



Até a publicação desta matéria, o Centro Brasileiro de Ações Sociais Para Cidadania -CEBRAC - que administra as duas unidades citadas, não enviou a nota sobre o assunto.



* Estagiária sob supervisão de Janaína Carvalho


Data de Publicação: 13/08/2018

Fonte: EXAME