Após abandono dos pais, tocantinense conhece atletismo e medalha nas Escolares


O estudante Luiz Fernando Pereira, 17, chegou a São Paulo vindo de Palmas, Tocantins, com a missão de disputar três provas nas Paralimpíadas Escolares 2018 depois de ter sobrevivido a um abandono dos pais biológicos nos primeiros dias de vida. O evento no CT Paralímpico é organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), reúne cerca de mil jovens dos 12 aos 17 anos de 23 Estados e do Distrito Federal. 



Ele tem paralisia cerebral que compromete a coordenação motora, especialmente nos membros inferiores, e a fala. Luiz compete na classe F35, para atletas com mesmo grau de deficiência, e nas Paralimpíadas Escolares disputou o lançamento de dardo F35, arremesso de peso e lançamento de disco, nas duas primeiras ele já garantiu o ouro. O estudante tem uma história de vida que impressiona, pois foi encontrado com poucos dias de vida pela sua mãe adotiva em um terreno abandonado. 



“Quando eu encontrei o Luiz, meu ex-marido não quis saber de nós por causa da deficiência dele. Então, fui auxiliada pelo meu irmão, que registrou o Luiz como filho e é quem me ajuda a cuidar dele até hoje”, disse Lúcia, mãe do Luiz.



Apesar da força física exibida em suas provas nas Escolares, após lançar 15,70m (com 75% de índice técnico competitivo), Luiz não conseguia comer sozinho tampouco andar. Até os 4 anos e meio, utilizava sonda para se alimentar e não caminhava. A partir dos 16 anos, passou a treinar atletismo. Nesta temporada, também estreou no Circuito Loterias Caixa, na etapa regional Centro-Leste, em abril, em Goiânia.



“Até as Paralimpíadas Escolares, nunca tinha andado de avião. Estou gostando da competição, aqui é muito bom. Pensei na minha mãe e no meu pai, nos meus professores, quando ganhei a medalha”, disse o atleta, porta-bandeira do Tocantins na cerimônia de abertura ocorrida na última terça-feira, 20.



As disputas das 11 modalidades se encerram nesta sexta-feira, 23, e o campeão-geral das Paralimpíadas Escolares 2018 será conhecido na cerimônia de encerramento, também nesta sexta-feira, 23, às 20h, no Pavilhão Oeste de Exposições do Anhembi. Os estados são coroados de acordo com a pontuação obtida pela classificação geral por esporte. Até aqui, São Paulo é a unidade da federação com o maior número de medalhas (51, sendo 41 de ouro). Mato Grosso do Sul (29 medalhas, 20 de ouro) e Santa Catarina (37 medalhas, 19 de ouro) vêm na sequência. 



Diversos talentos do paradesporto brasileiro já passaram pelas Escolares, como os velocistas Alan Fonteles, ouro em Londres 2012, Verônica Hipólito, prata no Rio 2016, e Petrúcio Ferreira, recordista mundial nos 100m (classe T47); o nadador Talisson Glock, prata no Rio 2016; o jogador de goalball Leomon Moreno, prata no Jogos de Londres e bronze no Rio 2016; a mesa-tenista Bruna Alexandre, bronze no Rio 2016, entre outros.



As Paralimpíadas Escolares contam com o apoio da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo. 



Serviço

Data: 21 a 23 de novembro

Cidade: São Paulo (SP)

Local: CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo - Rodovia dos Imigrantes, km 11,5 (ao lado do São Paulo Expo)



Programação*  

Paralimpíadas Escolares 2018

Quarta-feira (21/11) - 8h às 12h e 14h às 18h

Quinta-feira (22/11) - 8h às 12h e 14h às 18h

Sexta-feira (23/11) - 8h às 12h e 14h às 18h

*Programação sujeita a alterações



Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)


Data de Publicação: 22/11/2018

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro